As grandes cartas da minha vida – Parte 4: cartas em código

4. Cartas em código

Quando: entre 1995 e 2000

Eu e minhas amigas tínhamos um código para correspondências com assuntos secretos. Porque quando se é criança, não faltam assuntos secretos: quem gosta de quem na escola, qual matéria a professora vai dar no dia seguinte, quem está fazendo aniversário, etc. Enfim… muitos assuntos.

Na época, consultei meu avô e ele nos ajudou a conceber o conceito do código, que consistia em substituir algumas letras do alfabeto. Era simples e de fácil aplicação.

Certa vez uma amiga ficou doente e precisou ser internada por longo período. Ela estava com meningite, em estado grave. Como a doença é contagiosa, não podíamos visitá-la no hospital. Aí tivemos que nos comunicar por carta (na época, não havia celular), escritas, claro, no nosso código secreto. Eu escrevia e levava a carta na casa dela para os pais entregarem. E depois eles levavam a resposta dela na minha casa. Se por acaso nossa carta fosse interceptada por nossos irmãos mais velhos, pelo papa ou pelo FBI no meio da viagem, não tinha problema. O conteúdo estava protegido.

Pena que eu não guardei muitas dessas cartas na minha caixinha. Não sei por quê. Talvez elas fossem tão secretas que era melhor não deixar rastros, né? Vai saber….

Tags:
No Comments

Post A Comment