As grandes cartas da minha vida – Parte 3: carta para o prefeito

3. Carta para o prefeito

Quando: 10/01/1996

Meu pai é de uma cidade do interior de Minas (cidade linda e super querida, diga-se de passagem). Durante as férias, não tinha programa melhor do que ir visitar a minha avó e tios que ainda residiam lá. Como a família é grande, era sempre uma festa. Os primos ficavam soltos pela cidade, indo de uma casa para a outra e parando na pracinha do centro nos intervalos. Tratava-se da praça principal da cidade, onde fica a igreja matriz.

Certa vez um prefeito prometeu reformar a praça. E reformou. Ele mandou construir uma fonte bem no meio dela, ao lado do coreto. A partir daí uma das nossas maiores alegrias noturnas era sentar nos banquinhos e observar a fonte ligada. Ela era linda, grande e colorida! Pra gente era tipo um cinema, só que bem mais legal porque tinha água envolvida.

O problema foi que, algum tempo depois, a fonte parou de ser ligada. Frustante! Eu e outras duas primas ficamos muito bravas, mas muito mesmo. Como eles podiam gastar dinheiro pra fazer aquela belezura e simplesmente não utilizá-la mais? E nosso “cineminha” de sexta à noite, como ia ficar?

Nós três então fizemos uma enquete na cidade e vimos que havia outras pessoas que também eram a favor de manter a fonte em funcionamento (familiares incentivadores da juventude, na maioria dos casos). E então organizamos uma carta e um abaixo-assinado. Apesar da reivindicação principal ser a ligação da fonte, ao longo do processo fomos agregando outras sugestões que surgiram: instalar orelhões na praça, construir quebra-molas nos arredores e fechar o trânsito nos finais de semana, para garantir a segurança da freguesia dos bares.

Detalhe: nós nem residíamos na cidade. Mas nosso engajamento e cara de pau eram tão grandes que fomos pessoalmente entregar a carta na prefeitura. Ao saber que o prefeito já tinha ido embora, nos dirigimos para a casa dele. Afinal, não podíamos esperar o outro dia. O assunto da fonte era urgente.

Me lembro da cena como se fosse hoje. Tocamos a campainha e fomos atendidos pela esposa. O prefeito estava sentado à mesa jantando e interrompeu a refeição para nos receber. Nós nos apresentamos, entregamos a carta e fomos embora.

Na semana seguinte, a fonte foi religada. Os orelhões foram instalados, os quebra-molas construídos e o trânsito interrompido nos arredores da praça durante os finais de semana. Mais uma carta que fez efeito. Ficamos felizes e orgulhosas de nós mesmas.

PS: não sei o que houve com essa minha veia politizada.

A fonte. Fala se não era linda?                                               Créditos: www.salinasmg.blogspot.com.br

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